segunda-feira, 27 de abril de 2015

Pão do Dia - Todas as Coisas Cooperam...


Vivemos numa sociedade e num tempo extremamente hedonistas em que tudo gira em torno da auto-satisfação. Num clima assim, é natural que até mesmo o próprio entendimento da Palavra de Deus fique comprometido. Passa-se a interpretar automaticamente promessas como direitos individuais inalienáveis, ao mesmo tempo em que as condenações, alertas e exortações sempre são redirecionados a alguém e nunca absorvidos. Nos colocamos, mesmo sem percebermos como os protagonistas, os mocinhos da história, nunca como o bandido - e nos esquecemos que Jesus não veio ao mundo para salvar os "mocinhos", mas justamente os "bandidos", além disso, vemos a nós mesmos como o epicentro para o qual devem convergir necessariamente todas as promessas e bençãos - esquecemos-nos do coletivo, do corpo e, anula-se desse modo a própria essência do Evangelho que é admissão e doação. 
Exemplo claro desse fenômeno é a tão conhecida passagem de Romanos 8:28 que afirma: "Todas as coisas cooperam conjuntamente para o bem daqueles que amam a Deus. Daqueles que são chamados segundo o seu propósito". 
Como normalmente se lê essa  palavra? Mentalmente e também na forma que é proclamada fica da seguinte maneira: "Todas as coisas cooperam para o meu bem que amo a Deus...É evidente que é assim!". Mas eu pergunto: E o coletivo do versículo, para onde foi? Ler a frase dessa maneira é o mesmo que dizer que todas as coisas, pessoas, fenômenos, palavras já escritas, fatos e acontecimentos cooperam para ME abençoar - a MIM que amo a Deus - a MIM, na vida de quem Deus tem propósitos!
Percebe como a essência do Evangelho que são a doação e o compartilhamento, estão ausentes, ao passo que se apresentam tacitamente a presunção de que somos a coisa mais importante no planeta? Essa distorção é justamente o fruto desse hedonismo no qual vivemos e estamos ladeados, e, quiçá impregnados dele! 
Vamos fazer a leitura desse texto em seu aspecto coletivo como foi originalmente transmitido? Originalmente ele ficaria assim: "Todas as coisas que acontecem, inclusive a mim, cooperam para o bem de todos os que amam a Deus - todos - inclusive eu". Isso quer dizer que até as coisas que acontecem a mim e que são por mim percebidas sensorialmente como negativas - as dores, sofrimentos, traumas - no fim das contas, cooperarão para o bem DAQUELES (plural) que amam a Deus! Isso inverte formidavelmente as coisas! Ao invés de nos colocar na posição fantasiosa de centros do universo individualmente, nos coloca
na posição real - a de parte integrante do corpo, como doadores de experiências e legados. O resultado dessa realidade é, da mesma forma, formidável: Se antes, naquela visão hedonista das coisas, éramos o centro das ocorrências, nossa função existencial única era a de recebermos placidamente o resultado final dos acontecimentos - nunca doar, nunca trocar. Já agora não! Diante da realidade da Palavra somos também doadores - nossas experiências, aprendizados e habilitações fluem para todo o corpo e o abençoa. A contrapartida disso é que se, antes estávamos isolados em nosso "olimpo", agora somos também uma estação pela qual todas as experiências, aprendizados e habilitações de cada membro do corpo e do corpo coletivamente também passarão por nós! É maravilhoso! É Evangelho! 















Nenhum comentário:

Postar um comentário