terça-feira, 19 de abril de 2016

Pão do Dia - Amanhã será melhor.... Será?



Pronto, lá venho eu de novo pra pôr areia na utopia...;
Acreditem, isso é bom!
Utopia, ilusão, devaneio... é bom..., mas é ruim;
Ao passo que a verdade as vezes é ruim..., mas é bom!

Um dos jargões utópicos e hipnóticos aos quais nos apegamos é esse: "Amanhã será melhor!"
Em geral esse raio de utopia surgem em meio à desesperança presente. Ora, se tal desesperança presente nos é imposta por fatores alheios à nossa vontade, por uma enfermidade incurável, ou pela crueldade dos homens como aconteceu em Auschwitz ou nos gulags soviéticos, é mais do que justo esperar contra a esperança, crer na bondade para além das fronteiras da situação presente e manter-se vivo mediante a esperança do socorro que virá do alto, seja nesta vida ou na próxima;

Entretanto, crer que amanhã será melhor apenas e tão somente porque hoje algo é ruim,  é como crer que as coisas se transmutam por si mesmas - lembro-me duma antiga novela em que o ato Paulo Gracindo (não me lembro o nome do personagem) mexia com um pau dia e noite estrume de vaca numa banheira crendo que um dia ela viraria ouro nalgum tipo de alquimia - as coisas não mudam assim, não melhoram assim. É justamente aqui que a esperança se distancia em sentido diametralmente oposto à utopia;

Quando alguém que sofre inelutavelmente crê e diz: "amanhã será melhor", isso representa a esperança concreta que se deve ter no que existe de verdade para além do tangível. Quando porém o que goza de todos os recursos e faculdades diz a mesma coisa isso é alienação, é engano, é sofisma; é a tentativa de terceirizar para a entidade chamada tempo o papel que lhe cabe de mudar as coisas; é a expressão da falsa fé - a fé que não crê nas obras e é portanto morta; é a expressão do que troca o futuro pelo destino. A fé não estimula esse tipo de crença, pelo contrário, diz:   

Isaías 3:10 Dizei aos justos que bem lhes irá; porque comerão do fruto das suas ações.11 Ai do perverso! Mal lhe irá; porque a sua paga será o que as suas próprias mãos fizeram.
E então, você ainda acredita que amanhã será melhor? 
Eu acredito! 
Não pense que estou tentando demolir sua esperança, apenas as pseudo esperanças;
Eu acredito de fato que amanhã será melhor, que o meu trabalho frutificará, que a justiça se fará (com ou sem agentes promotores), que Deus interferirá e que novos caminhos se mostrarão no horizonte;
Que assim seja, que amanhã seja melhor!


segunda-feira, 18 de abril de 2016

Pão do Dia - Quem é o seu conselheiro?


Bom dia;

Conselheiro é aquele que orienta, baliza, mentoreia não apenas as ações que teremos como também os próprios sentimentos que desencadeiam essas ações, em outras palavras, o conselheiro, o mentor é aquele que nos diz como devemos sentir, pensar e, finalmente agir;

É-nos evidente que uma ação, seja ela qual for, não nasce de si mesma, antes é o ponto de chegada numa jornada que antes começou dentro de nós - na maneira como recebemos as impressões das coisas, de como as sentimos, de como as percebemos, dos conceitos que formamos delas e dos desejos aos quais esses conceitos nos impulsionam e, por fim, a ação;

Pois bem, quem é que guia as suas ações?
Quem te ajuda a formar internamente a sua escala de valores, a perceber as coisas da forma como você as percebe?
Quem é que diz a você que tal coisa é boa ou má e que, portanto, tal ou tal atitude é a mais adequada? Tal ou tal reação urge em seu tomada?... Em suma:

Quem é o seu conselheiro? 
Quem é o seu mentor?

De quem é a voz que fala e te convence? A voz que faz sentido?
Não aquela que se ouve com os ouvidos, aquela mais sutil, que fala direto ao coração?
Aquela que atropela os raciocínios e te leva a fazer o que é contrário aos seus conceitos racionalmente estabelecidos? Às suas crenças? (Rm 7). Que voz é essa que leva a agir e a reagir?

O Apóstolo Paulo escrevendo aos coríntios afirmou que "há muitas vozes no mundo e que nenhuma delas é sem significado".

Eu sei, eu sei, que a nossa resposta instintiva é eleger desde logo a melhor resposta antes até que a pergunta tenha sido pronunciada completamente
Eu sei que, de bate pronto se dirá: "O meu conselheiro é a minha fé (para os crentes)/ As minhas convicções (para os racionais)/ É Deus (para os religiosos)/ São meus amigos (para os inocentes kkk)/ Sou eu mesmo (para os autossuficientes);

Mas... Lá venho eu de novo com aquela pergunta antipática: "Será?"
Será que as nossas ações e reações são mesmo todas elas pautadas na fé, na razão, na lógica, na moral, nos conceitos preordenados?

Será que nada em nós acontece obedecendo simplesmente ao instinto natural de autopreservação o qual não leva necessariamente em conta o que está no plano da moral? Ou obedecendo ao instinto do prazer imediato? Ou dalgum outro sentimento ou emoção quaisquer?

É certo que sim! Mas aqui temos um problema: Nossas emoções que provém - muitas delas - de instintos e não de conceitos, nem sempre coincidem com o que cremos racionalmente ou com a escala de valores que convencionamos para nós mesmos para nos guiar.

E que emoções são essas?
Bem, são inúmeras. Uma delas é o medo!
Pense nisso: Quantas vezes o medo foi o seu guia, o seu mentor?
Por mais que você cresse diferente, pensasse diferente, pregasse diferente, na hora de agir, foi a voz do medo dita diretamente ao coração quem acabou prevalecendo e determinando a sua ação. E qual foi o resultado? Normalmente desastroso!

O medo não é um bom conselheiro! Ele não produz um caminho, produz um tormento (1João 4:18) e me diga: Quem é que consegue pensar direito estando atormentado?
O medo não é bom conselheiro porque amplifica a ameaça ao mesmo tempo em que minimiza o potencial de reagir a ela e até superá-la;
O medo não é bom conselheiro porque na maior parte das vezes é mentiroso, fantasmagórico, projecionista, holográfico;
O medo não é bom conselheiro porque além de ser em si mesmo nocivo, ainda traz consigo outros companheiros: o stress, a insegurança, a histeria, a ansiedade.
Ansiedade da qual JESUS disse: "livrem-se dela, pois o que tem que acontecer acontecerá segundo a vontade de Deus [que é bom] (não exatamente com essas palavras, mas nesse sentido). A ansiedade, fruto do medo, disse JESUS, nada acrescenta e a nada que seja ruim pode tornar bom, portanto, livre-se do medo!

Mas como livrar-se dele se é tão invasivo? Tão abusado? Se chega sem convite e sem pedir licença?
É fato e todos sabemos que precisamos expurgar esse conselheiro indesejável dos nossos corações, mas como?

De fato, não é tarefa fácil, mas é possível. Eis aí alguns passos práticos: 

1 - Antes de qualquer coisa é preciso identificar quando é o medo quem está falando e não confundir a sua voz com a da razão;
2 - Depois, avaliar a procedência dessa voz de medo - se legítima (no caso de apontar para um perigo real), se ilegítima, (no caso de apontar para um suposto fantasma);
3 - Descobrir a origem desse medo que nem sempre se refere ao objeto do medo, mas a outra coisa qualquer que tenha ficado mal resolvida - as vezes um simples ato de perdoar;
4 - Identificar os ciclos e gatilhos do medo - quando ele vem? quais são os sintomas da sua chegada? qual é o gatilho que o desencadeia? isso é evitável?
5 - Ressignificar as coisas - normalmente os medos, sobretudo os repetitivos, nos atormentam mediante a significados superdimensionados que lhes atribuímos, ressignificar é chamar as coisas por seus nomes certos;
6 - Enxergar o que está encoberto pelo véu do medo - normalmente a sensação do medo nos impede de vermos além da ameaça, com isso ficamos cegos ao nosso potencial, força e às possibilidades da vida;
7 - Buscar o sentido e não a sensação. Se o medo está no plano sensorial, o sentido e o ideal estão num plano superior no qual o medo não incide. Quando JESUS nos disse (no mesmo contexto em que falou sobre a ansiedade) que buscássemos em primeiro lugar o Seu Reino e a Sua justiça e que o mais nos seria acrescentado, Ele não disse isso no sentido de nos fazer operários de mão de obra barata, ao contrário, forneceu-nos a grande vacina que inocula o medo e a ansiedade: a causa! Viva para o que é bom, para o que edifica, para o que abençoa. Viva para Deus e Deus será o seu conselheiro e não o medo!
 



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domingo, 17 de abril de 2016

Quem é "Eu"?


Quem é "Eu"?

Calma, eu sei que a concordância da frase parece estar errada, eu sei, mas, pense mais um pouco... Que é "eu"? Quem é a pessoa que você chama de "eu"? Que você entende como "eu"? E que imagina que outras pessoas também assim o considerem?
Dito doutro ângulo:  Quem é você? O "você" real, o "você" mesmo?

Você sabe a resposta???
Calma! Não se aflija! Ninguém sabe tal resposta e nem pudera! Ela não se encontra em nosso campo de apreensão - o "eu" não está em nós, ele nos é emprestado, não geramos nosso próprio "eu".

Semana passada escrevi a frase de Santo Agostinho que deu origem a essa reflexão: "Deus é em mim mais eu do que eu mesmo".

Talvez ao me ouvir dizer essas coisas você, num reflexo defensivo discorde e diga: "Eu sei quem eu sou"
E eu te pergunto: Será que sabe mesmo?

Vamos então pensar juntos algumas coisas:
Se você tivesse que descrever a si mesmo hoje, essa descrição bateria com a sua própria descrição feita há três anos atrás? Os mesmos sentimentos? As mesmas nuances? Os mesmos objetivos? Os mesmos sonhos? As mesmíssimas crenças? Igual força?

Continuando...
Quem é "eu"? A pessoa que começou o dia como uma página em branco, tomou seu café da manhã e tudo em seu dia era planejamento, ou você é aquela pessoa que tendo terminado o dia olha para as coisas planejadas como fatos que foram ou não consumados e, o que antes eram planos agora são a contabilidade de sucessos ou fracassos...? Qual delas é você?

E mais...
Quem é "eu"? Aquele que num rompante de generosidade deseja doar-se por uma causa? O que se sensibiliza e consegue ir às lágrimas ao ver uma cena de maus tratos de animais? Que se condói com o sofrimento de outros? Ou aquele que - como todos - em determinados momentos pensa primeiro em seus próprios interesses? Que carrega de ódio pelo que maltratou o animalzinho o mesmo coração que pelo injustiçado se derramou de amor? Qual deles é "eu"?

Percebe como é complexo?
É complexo por uma razão: Quando Deus aplica a si mesmo a palavra "EU", ou "SER" é com plenitude de sentido que esses termos se aplicam a Ele, pois Ele de fato É e o Seu SER é pleno em si mesmo. Quanto a nós, o termo "eu" não passa de figura de linguagem. Confundimos "eu" com as crenças que temos, com as coisas que nos sucedem, com as escolhas que fazemos.... Nada disso define "eu", pois o "eu" num sentido pleno não está em nós nem em nada que a partir de nós se produza. O que chamamos de "eu" está em Deus. Ele é o "EU" e a fonte do "eu"

Vamos lá... Quem é "eu"?
"Eu" é o ser capaz de amar quando estimulado na reciprocidade do amor ou o ser capaz de odiar mediante da traiçoeira infidelidade?

Talvez alguém responda: "As duas coisas são "eu", pois "eu" é ambíguo, mas o fato é que nenhuma dessas coisas ou de outras define "eu"- elas referem-se ao "eu", mas não o definem.

Pense o seguinte: Quantas vezes dentro de um mesmo dia aquilo que você chama de "eu" vai de um polo ao seu oposto? Pois é... Não é possível que ambos sejam "eu"!

Veja, o simples fato de aprendermos coisas, crescermos no conhecimento e evoluirmos já nos mostra que não temos o pleno domínio do "eu", afinal de contas, quem somos? - somos quem somos hoje sabendo o que sabemos ou o que seremos amanhã sabendo o que viermos a saber?
Sim, é evidente que o conhecimento nos muda, doutra sorte não teria razão de ser, porém se é assim então significa que estamos mudando o tempo todo, o nosso eu está se formando o tempo todo e, o tempo todo estamos em busca de mais uma parte desse mito humano que chamamos de "eu". Não é assim com Deus que "É" plenamente. Deus é exatamente o que era há 10 mil anos e o que será daqui há vários eons.

Perceba o quanto tudo isso está desassociado de religião e de doutrina, trata-se de voltar às coisas mesmas e não aos termos.

Se há um vazio existencial - e há - em relação ao sentido da vida. Se a primeira pergunta a se fazer em busca desse sentido é "Quem sou eu", então há a necessidade de se fundir o que pensamos ser o "eu" com o "EU" Pleno - Deus. É em Deus, e somente Nele que o "eu" que buscamos pode ser encontrado.
 Temos características e traços de personalidade que geralmente entendemos como "eu", porém, quantas coisas alheias ao nosso arbítrio são capazes de alterar essa percepção que temos do que seja "eu"? Pois é a esse "eu"imutável que nos define atemporalmente, incondicionalmente que me refiro - onde é que ele se encontra? Ele está em na fonte do SER, no EU SOU, no EU que É - Deus, fora disso, o que chamamos de "eu" é apenas uma coleção de constructos.


Portanto, meus amigos, é de se ratificar Agostinho: "Deus é em mim mais eu do que eu mesmo!" 







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quinta-feira, 14 de abril de 2016

Deus é em mim mais eu do que eu mesmo!


Bom dia amigos queridos;

O Pão do Dia começa com essa brilhante conclusão filosófica de um dos pais da igreja - Santo Agostinho de Hipona - e que diz: "Deus é em mim mais eu do que eu mesmo!"

Há quem ouça isso e duvide ou dê de ombros. Há os que pensam ou dizem: "Lá vem conversa de religião";

Aos primeiros pergunto: "Quem é você?"
Por favo não me levem a mal, nem suponham ser pueril a minha indagação - é sobre o verdadeiro "eu" que me refiro quando indago, aquele que reflete 100% a minha verdade, a minha essência, o meu ser... E então, será que é fácil, imersos na realidade em que vivemos e num mundo que traz para o subjetivo necessidades que até ontem desconhecíamos por completo, mas que uma vez conhecidas nos parecem vitais à felicidade do ser, definirmos quem somos de verdade? Quais dos nossos pensamentos são de fato nossos? Quais dos nossos anseios, desejos, sonhos e necessidades?
É nesse sentido que pergunto aos primeiros: "Que é você, você?"

Já aos segundos não indago, afirmo, que religião passa longe dessa conversa, estamos falando de coisas que existem mesmo!
Tendemos a pensar Deus sempre nos ditames de alguma explicação teológica, filosófica ou doutrinal, porém o simples exercício de pensarmos quem veio antes - Deus ou as pretensas explicações sobre Ele - já nos esclarecem por completo que Deus É antes e independentemente de qualquer aspecto religioso;

Aliás, é sobre o SER de Deus que engancho esse Pão na brilhante frase de Agostinho - Deus é! Quando Deus se apresentou a Moisés no deserto do Sinai e Moisés lhe pediu documentos, Ele simplesmente apresentou-se dizendo: EU SOU! E não é pra menos! Deus é o único de quem se possa dizer "É". Todo o restante - nós e toda a demais criação usa esse termos apenas como figura de linguagem.  Me explico: Quando perguntei há pouco quem você é, é bem provável que a resposta à essa pergunta reflita muito mais o seu estado de espírito presente do que a sua essência imutável e, portanto, muito mais as coisas externas que lhe sucederam - boas ou ruins - naquele preciso instante e de como essas coisas lhe afetaram do que aquela parte fixa e inconvertível do seu ser. Mais ainda, quando pergunto "quem é você", as únicas respostas honestas possíveis seriam: "Depende, quando? Em que circunstâncias"

Sei que é duro admitir isso, não gostaríamos de ser assim, mas o fato é que somos, tudo nos altera, ou por acaso você é o mesmo na calmaria de uma praia descansando e tendo a mente relaxada e num prédio em chamas com gritos por todos os lados? Pois é, Deus é!
Por acaso você é o mesmo quando está são e quando está doente? Sua vontade e garra não aumentam nem diminuem? E quando é traído, ameaçado, confrontado, enganado.... você ainda consegue ser a mesma pessoa que é estando num ambiente seguro de amor? Ter as mesmas reações? As mesmas punções? As mesmas prioridades?

Pois é amigo querido, por mais que não gostemos de admitir, o nosso "eu" é relativo. Mas o de Deus não, o Dele é absoluto. Quando se diz que Deus é amor, Ele o É sempre. Misericórdia? Sempre. Justiça? Invariavelmente!
Nada altera Deus, nada incide sobre Ele, nada o demove ou estimula e de nada Ele depende para ser o que É, antes É de si mesmo. É porque É e porque quer SER.

E onde isso tudo nos toca?
É simples! Todo homem se depara, em algum momento da própria existência, com a necessidade de descobrir qual é o sentido de sua vida. Essa busca por sua vez não pode começar por outro ponto que não seja o de descobrir "Quem sou eu" - essa é inexoravelmente a primeira pergunta a ser feita. Ora, essa pergunta é irrespondível no momento em que se procura achar a resposta em si mesmo.
Onde é que está então a reposta de quem sou eu? Está Naquele único que tem a propriedade do SER, Deus.
A boa nova está em que esse Deus que É, não é o Deus distante e que habita pra lá da Alpha Centaura, mas sim o Emanuel, o Deus que nos habita e que habitando em nós nos imputa a propriedade de ser.
Pra ser mais simples ainda, quanto mais caminhamos na direção do que É, mais somos. João, íntimo do EU SOU Encarnado disse: "Pois assim como Ele é também nós o somos neste mundo"

Isso tudo significa uma coisa só: O nosso ser verdadeiro existe, mas não está em nós porque não contemos o ser, ele está em Deus que É por excelência, portanto o eu mais que eu que tenho é Deus habitando em mim. E o mais incrível de tudo: É que continuamos sendo diferente uns dos outros, pois nessa belíssima diversidade é que Deus nos criou, porém somos de verdade.

É, Agostinho tem toda razão quando diz: Deus em mim é mais eu do que eu mesmo!

 
 


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domingo, 21 de fevereiro de 2016

Pão do Dia - O que importa? Ver ou Viver? "A Esponjinha"


Bom dia; 

Um dia desses minha mulher comprou, numa dessas lojas japonesas que vende de tudo, uma esponjinha para lavar louças - bela engenhoca - um reservatório quadradinho de acrílico transparente destinado a se colocar o detergente e que tinha na parte inferior as cerdas da esponja e na superior uma espécie de botaozinho de borracha que, apertado libera o detergente para a parte debaixo - a das cerdas;
Pois bem, dois dias mais tarde eis que me ponho a lavar as louças com a tal esponjinha oriental tecnológica quando em meio à lavação percebo o seguinte: aperto e aperto o botão de borracha e nada de descer o detergente. Eu virava a esponjinha, olhava na parte de baixo para ver se havia algum entupimento, e nada de ver o danado do detergente descer para ali, o curioso era que, mesmo não vendo nada, ao passar a esponjinha nos pratos, voilà, a espuma aparecia como que por milagre e os pratos ficavam limpos. Fui para o próximo prato, e o próximo e pimba, novamente aconteceia a mesma coisa - a esponjinha funcionava, mas eu não via nada de seu processo;
 
Lembro que a minha primeira reação foi a de xingar o aparato e pensar: "Que negocinho mais inútil! O detergente que deveria descer não desce! Bela aroba! Joguei dnheiro fora! Que bela enganação! 
Enquanto eu xingava pra dentro, continuava a passar a esponjinha nos pratos e ela continuava firme, funcionando perfeitamente, eu, toda via, estava mesmo era intrigado por não ver o detergente que deveria estar lá!

Foi então que a minha ficha caiu... "Afinal de contas", perguntei a mim mesmo retoricamente: "o que é que te importa? Ver o detergente ou ver sua ação limpadora? Ter os pratos e copos lavados?"
 
Assim também acontece conosco em relação ao agir de Deus, raramente - quase nunca - nós podemos ver com os nossos olhos o seu processo, porém, os efeitos do Seu agir são irrefutáveis, não obstante, nós também, a semelhança do que me aconteceu no caso da esponjinha, insistimos caprichosamente em vermos os sinais tal como os idealizamos como se fôramos os projetistas e Deus o executor da obra - queremos saber dos detalhes, ver os detalhes, arbitrar nos processos, isso acontece por causa da nossa insegurança, das nossas vaidades, da nossa desconfiaça em relação a Deus;

O Senhor JESUS disse (João 20:29) "Bem aventurados são os que não viram e creram"

Quantas vezes, como no caso da esponjinha, não entramos nessa cilada mental? Focamos no processo em si sem nos nos apercebermos que o resultado está acontecendo ainda que nada estejamos vendo?
Alguém que pede, por exemplo: "Deus, faz com que fulano faça as pazes comigo!" Ou então: "Deus, abra a porta desse emprego que eu preciso para pagar as minhas contas". etc, etc...
Pois bem, o fulano não dá o mais mínimo sinal de reconciliação, não sorri, não acena, mesmo assim passa a ter atitudes para com você que indicam paz! No caso do emprego, nenhum telefonema, nenhum contato, nenhuma porta, não obstante, de algum jeito que você não saberia explicar, as ditas contas foram pagas e nada te falta!
Em ambos os casos, se não estivermos apercebidos, tendemos a nos focarmos mais no sorriso que não foi dado e nas palavras hollywwodianas que não foram pronunciadas do que no fato objetivo de que a paz foi inexplicavelmente conquistada. Assim como no prendermos muito mais ao fato de que o telefone não tocara (numa nítida falha do agir de Deus) para anunciar a épica notícia do emprego que tanto nos encheria de orgulho perante os outros ao testemunharmos, do que no fato objetivo de que o suprimento veio, o livramento aconteceu e em nada ficamos descobertos

O que realmente importa pra você?
Que aconteça do seu jeito ou que simplesmente aconteça?

Eia uma coisa pra se pensar - o que buscamos?
Ver o detergente nas cerdas da esponja ou, mesmo sem tê-lo visto, conseguirmos lavar todos os pratos e vermos ali - pasmos - uma espuma abundante que não sabemos de onde veio?

O que te importa?
Ver ou viver?
Aos que querem ver, destina-se-lhes a angústia pela busca de respostas que são inócuas - satisfações ao ego;
Aos que entederam que "o barato" está em viver, basta-lhes a vida viva, acontecendo - dispensaram a muito as explicações que não lhes pertencem nem lhes acrescentam e completaram as suas vidas com a fé grata e consciente de que Aquele que já fez, faz e fará!


Bom dia!


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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Pão do Dia - Bem Aventuranças - Parte 5 - "Os Desdobramentos, As Promessas"















Bom dia;

Well, well, well, creio que já expusemos o suficiente qual é a natureza das bem aventuranças e do que se trata - que não é algo para se galgar, conquistar, ou ter, mas sim uma chamada ao desafio de ser. Creio que esteja bem claro que o aspecto primordial das bem aventuranças, embora carreguem desdobramentos, é o ontológico e não o consequente. Julguei importante dizer e acho agora importante reforçar que na frase "bem aventurados os humildes de espírito porque deles é o reino dos céus", a bem aventurança não é a posse do reino dos céus, mas o que origina essa promessa - o ser humilde de espírito - essa é a raiz da felicidade e as duas coisas são, de fato, indissociáveis; 

Hoje, porém, encerrando esta semana e tema, quero me ater especificamente ao aspecto dos efeitos, dos desdobramentos, das promessas; 

Para cada traço ontológico da bem aventurança (felicidade existencial) está posta uma promessa correspondente. É justamente sobre essas promessas correspondentes que quero prender-me hoje. 

  • Aos humildes de espírito lhes é dito por JESUS que possuirão o reino dos céus; 
  • Aos que choram, que serão consolados;
  • Aos mansos, que herdarão a terra;
  • Aos que tem fome e sede de justiça, que serão fartos;
  • Aos misericordiosos, que alcançarão misericórdia;  
  • Aos limpos de coração, que verão a Deus;
  • Aos pacificadores, que serão chamados filhos de Deus; 
  • Aos que são perseguidos por causa da justiça, que a eles pertence o reino dos céus;
  • Aos que, pelo nome de JESUS forem injuriados, perseguidos e vítimas do mal da mentira, que grande é o seu galardão nos céus;

  • O reino dos céus que os humildes possuirão significa o tesouro dos tesouros - o tesouro da vida - a única coisa que vale de fato a pena - é a vida plena e verdadeira. Esta é entregue aos humildes de espírito pois esses não são fascinados pelo que não é vida, pelas ilusões e soberba desta vida - são livres dos laços dos enganos, e por isso mesmo, ligam-se ao que é vida de fato;
  • O consolo virá sobre os que choram, porque consolo é resposta, é justificação, é o gozo de ver a justiça se cumprir. Ele vem sobre os que choram, pois os que choram não empedraram-se no coração ante o sofrimento alheio, à farsa e ao teatro da existência que não é, antes mantem-se sofredor perante o que não é para que venha a ser - esses serão consolados pela realização daquilo pelo que choram;
  • Herdar a terra é para os mansos. Só se herda legitimamente uma herança se ela vier das mãos do dono verdadeiro, todo o resto é uso capião. Ora, há muito uso capião por aí, não só de valores materiais como de consciência, informação, acesso... A terra é o do Senhor e é aos mansos que Ele a dará - tudo o que tendo sido criado deturpou-se ou esteja em mãos erradas - sim, aos mansos, que não brigam por ela, que só querem o próprio Senhor sem saber que Te-lo é ter o que Ele fez;
  • Serão fartos os que tem fome e sede de justiça - os que não se conformam ao mal, com o mal, que mesmo em face do encanto do lucro não se alegram com a injustiça e, mesmo ao custo de divisas regozija-se com a verdade. Esses serão fartos daquilo que tem fome - terão abundantemente, serão a medida de fartura para muitos, e por isso são bem aventurados - porque pelo fato de terem sentido essa fome, é disso que se lhes fartou;
  • Misericórdia é para os misericordiosos. Misericórdia que JESUS disse aos fariseus "ela eu quero e não holocaustos", pela qual condenou os que davam dízimos e dela (principal preceito da lei) se esqueciam, a mesma com a qual Deus se compadece de nós como um pai de seus filhos não nos imputando nossos pecados, misericórdia que Tiago diz "triunfa sobre o juízo". É essa que recebem os misericordiosos, aqueles que simplesmente foram humanos e não se desumanizaram com a desumanização em redor, não se diabolizaram cercados do mundo que jazia no maligno - foram firme e simplesmente humanos, humanos à semelhança de JESUS quando assim o foi. A esses não se lhes reserva juízo, mas misericórdia;
  • Os limpos de coração verão a Deus, pois é com o coração que se vê a Deus não com os olhos da cara. Deus não é um ente fora de nós que possamos observar a certa distância, não! Paulo diz que Nele nos movemos, existimos e somos. Só é possível "vê-Lo" através de Seu agir, conhece-Lo por experimentação. É aos limpos de coração que isso é dado - a intimidade do Senhor (Sl 25:14), àqueles que limpam-se todos os dias na esperança, na bondade, e no amor;
  • Filhos de Deus? Serão chamados os pacificadores, os pontífices - construtores de pontes entre os homens, ligadores de relações, restauradores de brechas. Filhos de Deus, parecidos, amados, cuidados, herdeiros, um com Ele... Filhos de Deus;
  • Pertence o reino dos céus futuro aos que no presente se deixam perseguir por causa da justiça podendo livrar-se e não o fazendo apenas porque sabem que a justiça é a justiça e que o tesouro está para além, a esses o reino está reservado, os céus, o gozo do seu Senhor;
  • E aos que são injuriados e maltratados por causa de JESUS - não apenas no aspecto de O professar, mas peplo fato de serem Ele de alguma forma aqui na terra e por isso mesmo são odiados, a esses JESUS diz "grande é o galardão nos céus. Em que esse galardão consiste? Não sabemos, apenas que também o mistério é a benção pois indica que se refere ao que não ha na terra por precioso que é. Seja lá o que for, é bom e eu quero.... como quero!
Aqui estão as promessas atreladas aos bem aventurados. Elas não são as bem aventuranças, mas a coroa dos bem aventurados. Que sejam minha, suas, nossas, em nome de JESUS!

Bom dia!   



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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Pão do Dia - Parte 4 - "Seja a Bem Aventurança"

Bom dia;

Viemos falando durante toda esta semana sobre as bem aventuranças que JESUS proferiu no famoso Sermão da Montanha. Ontem abordamos o aspecto ontológico das bem aventuranças, ou seja, que elas - as bem aventuranças -, enquanto resultados, não são alvos a serem conquistados pelo que se chamaria hoje de "uma pessoa arrojada e de mentalidade empreendedora", antes são condições intrínsecas e indissociáveis do ser, não podendo ser obtida em separado de seu aspecto ontológico;

Creio que essa explanação é muitíssimo importante, sobretudo num contexto como o nosso em que toda a mentalidade moderna é permeada da idéia de "ter" - como ter? o que se deve fazer para ter? E assim por diante. A profundidade simples dos axiomas proferidos por JESUS no sermão nos remetem a uma outra mentalidade - a de que tudo decorre do ser e nada há que se estabeleça para a vida sem que seja assim, portanto, a quem foca nos efeitos ao invés da causa, a quem olhe para o "herdarão a terra, serão chamados filhos de Deus, serão consolados", etc, têm na verdade seus olhos no alvo errado, mesmo porque a bem aventurança não é o efeito, mas a causa - não é o que decorre de ser, mas o próprio ser;

Bem. Isto exposto, resta-nos entender como ser!
JESUS nomeia nove características ontológicas que d'alguma forma se devem encontrar em nós, a saber: a humildade de espírito, a capacidade de chorar por outros, a mansidão, a fome pela justiça (alheia), a misericórdia, a limpeza do coração, a pacificação como modo de vida, a perseguição, e a vitimização pela injustiça, mentiras e injúrias por causa de JESUS

Como ser assim não sendo? 
Quero dizer com essa pergunta que essas marcas podem não ser (o que é bastante provável) nossas   características natas. Como então adquiri-las, desenvolve-las, faze-las nossas? 

É necessário antes de tudo saber que JESUS, ao falar desse perfil, falava de certa forma sobre Si mesmo - JESUS é assim, o manso, o humilde, o pacificador, etc. Ele não apenas é assim no sentido de ter essas características como atributos, mas no sentido de ser Ele próprio o criador dessas virtudes, ou seja, a humildade existe a partir de JESUS, a paz, a mansidão e tudo o mais - Ele é o criador, a fonte e a origem de tudo, portanto, quem quer que deseje carregar essas características como suas, uma vez que a natureza humana não as tem intrinsecamente, só encontrará uma solução, ter JESUS, ser JESUS. E... voilá! Chegamos ao ponto! A proposta das bem aventuranças não é a de recebe-las, mas a de sê-las! Ser JESUS! Ter a Sua vida vivendo em nós, Sua natureza, Sua mente...;
E, por favor, não suponha que tenho em mente qualquer teor ou proposta religiosa, doutrinal ou dogmático ao dizer essas coisas - não tenho - o que proponho é inteiramente de cunho existencial, prático e vivível, experienciável! Alíás, não eu, o próprio JESUS; 

Após isto, é irmos fazendo morrer a natureza contrária à essas coisas, força-las a princípio como nova natureza - por exemplo: não se aprende a ser manso sem praticar a mansidão, sem ampliar consciente e formidavelmente o limite de suportabilidade; também não aprendemos à humildade mantendo nossas posições, razões, presunções - é preciso despir-se, ficar nu... Enfim, todas essas coisas custam, mas eu pergunto: Acaso não custa muito mais viver sem ser bem aventurado? É preciso coragem e disposição para embrenhar-se nessa floresta!

E por fim quero dizer que sim - é claro que os mansos herdarão a terra e que herdar a terra é bom; que os misericordiosos alcançarão misericórdia e que ter sobre nós a cobertura da misericórdia é muito bom - tudo isso é verdade e sobre isso falaremos só amanha, entretanto a bem aventurança está em ser manso e não em herdar a terra, em ser assim, em ser JESUS! 


Bom dia a todos em nome de JESUS! 



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